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pH do aquário: Entenda como funciona

O pH ou Potencial Hidrogeniônico é uma escala usada para indicar a acidez ou alcalinidade de um meio e varia de 0 a 14. Um pH 7 é o que chamamos de neutro, enquanto valores acima de 7 são considerados alcalinos e abaixo de 7 são ácidos.

A acidez ocorre devido ao acúmulo de íons H+ presentes na água e a alcalinidade ocorre quando há um aumento de OH-.

Isso não ocorre apenas no nosso aquário, há diversas outras ocasiões do nosso cotidiano em que podemos observar substâncias com diferentes valores de pH.

Por exemplo:

O suco gástrico possui o pH entre 1 e 2

O sal de fruta possui pH igual a 10

Diferentes pHs na natureza

Na natureza cada espécie de peixe está habituada a diferentes faixas de pH.  Nos lagos africanos é possível observar valores entre 7.7 a 8.6, devido à grande quantidade de rochas e ausência de troncos e vegetação submersa. Enquanto nos rios amazônicos, onde há muitas folhas e troncos, encontraremos regiões com pH entre 4.5 e 6.5.

Dessa forma, devemos manter nossos peixes em seus respectivos parâmetros para que seu metabolismo funcione da melhor forma possível, evitando doenças e mortes.

Peixes comuns e os seus respectivos pHs

Neon 4,0 a 6,5
Acará-Bandeira 5,5 a 7,0
Oscar 6,5 a 7,0
Paulistinha 6,6 a 7,4
Betta 6,8 a 7,2
Kinguio 7,2 a 7,8
Guppy (lebiste) 7,2 a 7,8
Molinésia 7,2 a 8,0

Tendência de redução do pH

No ambiente aquático, diversos fatores são responsáveis por causar variações no pH ao longo do dia.

Durante a noite, a respiração das plantas promove uma queda de pH devido a produção de CO2, que reage com a água formando ácido carbônico. Essa redução ocorre de forma acentuada, pois as plantas não fazem fotossíntese durante o período noturno e, consequentemente, não absorvem o CO2 dissolvido na água.

Além disso, há uma tendência natural da redução do pH da água devido à degradação de matéria orgânica e excretas dos peixes.

Essa degradação leva à formação de amônia, em seguida nitrito e por último nitrato, caracterizando parte do ciclo do nitrogênio do meio aquático. Esse último componente leva à formação de ácido nítrico e é o grande responsável pela acidificação natural do ambiente.

Por esse motivo é importante ter um cuidado com a quantidade de peixes no aquário e a frequência das trocas parciais de água.

Reserva alcalina

Para impedir a redução de pH, você deve saber o que é a reserva alcalina (KH) e a sua importância.

A reserva alcalina é a capacidade da água se manter estável na presença de ácidos. Logo, ela é a responsável por evitar que o ambiente acidifique rapidamente, “absorvendo” a acidez do aquário.

Dito isso, é importante que você mantenha valores de kH > 0 para evitar variações bruscas de pH.

Como alterar o pH do seu aquário

Antes de tudo, o seu aquário está com peixes ou sem peixes?

Se estiver sem peixes, é importante finalizar a ciclagem para que a alteração do pH não afete o desenvolvimento de bactérias benéficas. Como mencionado no nosso post sobre a ciclagem, o pH ácido inibe a formação de colônias bacterianas.

Se você já tem peixes, a correção do pH tem de ser feita gradativamente, de forma que não cause um choque e nem mate os animais presentes no aquário.

Para alterar o pH você pode fazer uso de produtos sintéticos como acidificantes, alcalinizantes e tamponadores.

Os tamponadores são os mais eficientes, principalmente quando se trata de acidificar a água. A água da torneira vem com diversos elementos e minerais que interferem na sua estabilidade e muitas vezes tornam o kH mais elevado. Por esse motivo, acidificantes sem a capacidade tamponante não conseguem manter o pH reduzido por muito tempo e é muito mais difícil diminuí-lo do que o aumentar na maioria dos aquários.

Esses produtos são os ideais para correções mais rápidas e podem ser utilizados diretamente no aquário (com cuidado) e na água de reposição para igualar os parâmetros.

Em alterações graduais dentro do aquário você pode utilizar itens naturais para acidificar ou alcalinizar a água.

Para acidificar, é extremamente comum usar troncos, folhas secas e turfas, que possuem ácidos fracos em sua composição.

Como alcalinizante, os itens mais utilizados são rochas (por ex, a dolomita) e conchas.

Intoxicação por amônia e o pH

A amônia é uma substância excretada principalmente pelas brânquias dos peixes e é extremamente tóxica quando acumulada na água.

Quando está presente em um pH alcalino ela se encontra na forma não-ionizada (NH3) e atravessa a membra das brânquias com mais facilidade. Logo, é importante saber que quanto mais alto o pH, mais tóxica é a amônia.

Referências

THURSON, Robert V.; RUSSO, Rosemarie C.; VINOGRADOV , G. A. Ammonia toxicity to fishes. Effect of pH on the toxicity of the unionized ammonia species. , [s. l.], 1981.

BILOTTA, Patrícia. EFEITO DO pH, ALCALINIDADE, CONCENTRAÇÃO DE AMÔNIA E NITRITO NO DESEMPENHO DO TRATAMENTO BIOLÓGICO DE DEJETO SUÍNO EM UM REATOR SEQUENCIAL DESNITRIFICANTE-NITRIFICANTE. , [s. l.], 2013.

KUBITZA, Fernando. Qualidade da Água na Produção de Peixes – Parte II. Disponível em: https://panoramadaaquicultura.com.br/qualidade-da-agua-na-producao-de-peixes-parte-ii/. Acesso em: 9 set. 2020.

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