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A temperatura do aquário e sua importância

Você sabe a influência que a temperatura ideal tem no seu aquário?

Na natureza, todos os animais possuem os seus respectivos habitats naturais e isso acontece da mesma forma para peixes e outros animais aquáticos.

Assim como os leões são localizados e adaptados, principalmente, às Savanas Africanas, cada peixe tem a sua “preferência” por determinadas regiões.

Esses ambientes possuem condições e parâmetros que levam diversas espécies a viverem exatamente ali. Um desses parâmetros é a tempera e é a que iremos abordar nesse post.

Imagem principal post temperatura em aquários

A temperatura e os peixes

No aquarismo, os peixes de água doce podem ser divididos em 2 tipos: peixes tropicais e peixes de água fria.

Os tropicais estão presentes em regiões cujas temperaturas são mais elevadas e, consequentemente, a água mais quente.

Mas o que seria considerado uma “água quente”?

Para os peixes, uma água é quente quando a temperatura está em torno de 24-30ºC.

O Rio Amazonas é o principal exemplo de um habitat para peixes tropicais aqui no Brasil e é a partir dele que o termo “Aquário Amazônico” foi criado e utilizado no desenvolvimento de diversos aquários ao redor do mundo.

Você deve conhecer algum dos seguintes peixes: acará-disco, acará-bandeira, tetra-neon, cascudo, tetra mato-grosso etc. Todos eles são característicos da Amazônia.

goldfish in water
Kinguio (peixe-dourado)

Os peixes de água fria são aqueles originários de regiões temperadas e são extremamente famosos na Ásia.

Kinguios (peixinho-dourado) e carpas são os mais comuns. Quando criados em países frios, suportam temperaturas incríveis de aproximadamente 0ºC no inverno.

No entanto, no Brasil a realidade é diferente.

Por estarem acostumados a temperaturas mais elevadas, devem ser mantidos preferencialmente entre 16-24ºC.

Peixes são animais pecilotérmicos

O que isso significa?

Significa que são animais que não conseguem controlar a temperatura do corpo —diferentemente de nós — e dependem da temperatura do ambiente, ou seja, da água.

O meio externo é diretamente associado ao metabolismo dos peixes.

Isso quer dizer que em temperaturas elevadas o metabolismo deles acelera, fazendo com que eles fiquem mais agitados e gastem cada vez mais energia. O resultado disso é uma maior necessidade de alimentos e maiores cuidados com a manutenção do aquário, pois eles também sujarão mais a água.

Em temperaturas reduzidas o contrário acontece e o metabolismo dos peixes fica mais lento, diminuindo a fome e, consequentemente, a quantidade de excretas.

Doenças e a temperatura

O sistema imunológico (defesa) dos peixes é algo extremamente afetado pela temperatura, principalmente quando ela está abaixo do que deveria. Isso acontece pois os mecanismos de defesa do animal ficam mais lentos e menos responsivos à possíveis problemas.

Um exemplo disso é a doença dos pontos brancos, conhecida como íctio, que tem seu surgimento favorecido no inverno.

Choque térmico

O estresse térmico é um dos principais tipos de estresse que afligem os peixes e ocorre geralmente devido a variações bruscas da temperatura da água.

Essas oscilações são causadas pelas alterações climáticas do ambiente externo e podem ser evitadas com o uso de equipamentos como termostatos e chillers, que manterão a temperatura equilibrada.

É muito comum a ideia de adicionar água quente ou gelada no aquário em climas extremos. No entanto, isso é um equívoco enorme devido ao risco de causar um choque térmico e aumentar a chance de desenvolverem doenças.

Influência na oxigenação da água

A necessidade dos peixes por oxigênio é um problema que passa despercebido por muitos aquaristas, principalmente com a chegada do calor. Com o aumento da temperatura, a quantidade de gás oxigênio dissolvido na água diminui e os peixes passam a consumir ainda mais esse oxigênio devido ao aumento do metabolismo.

Você pode perceber a escassez de oxigênio por meio do comportamento incomum dos peixes, que se manterão próximos a superfície tentando respirar.

Para resolver ou evitar esse problema, você deve aumentar a movimentação da superfície da água ou reduzir a temperatura do aquário sempre levando em conta as necessidades dos peixes presentes.

Usar aeradores é uma forma fácil e rápida para contornar o problema, pois eles quebram a tensão superficial da água facilitando a troca gasosa e, consequentemente, aumentam a concentração de oxigênio dissolvido.

O que fazer para controlar a temperatura da água?

Você deve priorizar equipamentos que sejam adequados para a região em que mora e os peixes que tem no aquário. Em seguida, você deve adquirir o restante dos itens essenciais para controlar a temperatura.

Por exemplo, se você possui peixes de água fria e mora em um local em que o clima é mais quente, o melhor é investir em chillers e coolers, que são equipamentos para resfriar a água. Já se você mora em um local frio e possui peixes tropicais, o ideal é utilizar um termostato para manter a água aquecida.

Outro item indispensável em qualquer aquário é o termômetro, pois tem como função monitorar a temperatura da água.

Apesar de incomum, caso algum de seus equipamentos apresente defeito, o termômetro auxiliará na identificação desse problema.

Posso manter peixes tropicais e de água fria em uma temperatura intermediária?

A resposta é simples e curta: NÃO!

Temperaturas intermediárias geralmente são o limite para os peixes de água fria e de água quente. Nós sobrevivemos a temperaturas de 40ºC, porém não quer dizer que essa é a temperatura ideal para o nosso bem-estar.

Isso funciona da mesma forma para os animais.

Nessa situação é bem provável que os peixes deixem de se alimentar corretamente, expressem comportamento agressivo, não sejam capazes de se reproduzir e vivam menos tempo.

A temperatura é um dos vários fatores que interferem no seu comportamento natural e a partir do momento que você coloca a vida dos pequenos em suas mãos, você deve fazer o melhor para que eles vivam bem.

Pensem bem antes de escolher os seus pets. 😊

Referências

YANAR, Mahmut et al. Thermal tolerance of thirteen popular ornamental fish Species. , [s. l.], 2019. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0044848618314388. Acesso em: 3 set. 2020.

STEVENS, C. H. et al. Stress and welfare in ornamental fishes: what can be learned from aquaculture?. , [s. l.], 2017. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/jfb.13377. Acesso em: 3 set. 2020.

BASSLER, Gerald et al. Guia Prático de Doenças de Peixes. , [s. l.], 2011.

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